sexta-feira, 26 de março de 2010

Causa Mortis









Causa mortis


Morreu. Isto era um fato. Faltava definir-lhe a causa mortis. Não que alguém fosse ler ou se importar com esta definição, mas era necessário posto que em sua certidão de óbito haveria de constar uma causa, como se a morte, legítima dona da vida, que dela se apropria a seu bel prazer, necessitasse mesmo de algum motivo para justificar seus atos. Os diagnósticos foram muitos, tanto de curiosos próximos ou nem tanto, como do médico que examinava displicente o corpo gélido e pálido. Alguns disseram de um profundo amor outonal, que impregnou-se-lhe no corpo, alma e coração, não lhe dando paz nem de dia nem de noite, nem em sonhos nem em vigília, tornando as lembranças tão ávidas e vivas quanto a saudade voraz e faminta de seu amor, ambas igualmente suicidas, que se alimentavam de todas suas forças vitais sem compreender que isso significava também o seu fim. Alguém cochichou que amor é veneno sutil e fatal, quando ingerido pela alma que faz dele a causa maior e a única razão do existir. Amor nunca mata, que isso é coisa de loucos e poetas que inventam histórias de se morrer de amor, a iludir os tolos, disseram outros, e entre falas e murmúrios abriram-lhe o corpo à procura dos causadores daquela que se impunha soberana a quaisquer causas. Percorreram todas as suas cavidades e órgãos, que inertes não ofereciam nenhuma resistência à procura das possíveis causas, indiferentes a toda e qualquer mão. Examinaram-lhe com a curiosidade incrédula e mórbida, típica dos seres humanos, quando não entendem os motivos das coisas comuns que acontecem às pessoas comuns. Veio por fim o veredicto. Morrera de indigestão. A indigestão que se embota nas veias, empelotando todas as palavras que deveriam ser ditas e que nunca foram pronunciadas; a indigestão que petrifica os sentimentos e os transforma lentamente em pedra, e que entope as artérias por onde o sonho deveria fluir livremente. Morreu de uma indigestão tão séria, daquela que faz da esperança bolhas de vazio a sufocar os pulmões impedindo a respiração da vida, daquela causada pela extrema lucidez que permite ver além das míseras emoções camufladas, a verdadeira realidade da ausência de sentimentos verdadeiros, que viu nos olhos das almas daqueles que lhe pousaram o olhar. Morreu de indigestão profunda e simples, do simples fato de existir a vida e de se ter que diariamente beber de sua fonte e de se ingerir pacientemente sua cruel e inerente solidão. Morreu de indigestão. Indigestão de vida


(Publicado pela CBJE - Março/2010 - Contos de Outono)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Favela

Favela

Casas e casas grudadas
Dependuradas
Asas fechadas
Bocas abertas
Como aves num poleiro

Casas e casas apertadas
Caminhos tortos
Desajeitados
Vielas serpenteadas
Subidas a um topo sem cruzeiro

Casas e casas apinhocadas
Incrustadas em pedra
Monocromáticas por inteiro
Vistas do céu se assemelham
A um imenso e triste formigueiro

segunda-feira, 22 de março de 2010

Cotidiano


Cotidiano


Vivo no presente
O tempo me projeta para o futuro
Mas respiro presa ao passado
Renovo as máscaras que uso
Mas minha essência permanece inalterada
A rotina acelerada me atira adiante
Mas continuo atrelada ao ontem
Minha bagagem aumenta
Na exata proporção em que me esvazio
O ritmo da vida se acelera
E cada vez mais afasto-me de mim mesma
Tudo isso porque o tempo do mundo
Não é o tempo do meu coração!

Paladino


Paladino

Cavaleiro solitário e errante
Teu corcel já nao cavalga
Através de campinas distantes
Na direção do topo do mundo
Em busca do sonho encantado
Nos campos do mundo real
Hoje já não cavalgas
És homem alado sem céu
Sepultado vivo no mausoléu
De uma existência virtual
Mas continuas solitário
Na busca de teu mágico graal

O tempo e o amor


O tempo e o amor

Existe um amor, entre todos os amores,
Que não esmaece e nem desaparece
Nas brumas e na passagem do tempo
Existe um amor que se eterniza
Em lembranças sempre presentes
Em emoções sempre latentes
E que não se desfaz entre os dentes
Da louca e faminta engrenagem da vida
Um amor que se agiganta e se agita
Às vezes adormece e outras vezes grita
Que seduz e flerta com a insanidade
Mas que é real e dá sentido a realidade
E mostra a luz e o caminho da eternidade

Amores


Amores

Amamos com a mente, o corpo e o coração
Amamos pequenos e grandes amores
Aqueles que amam apenas com a mente
Ou simplesmente com o corpo
Constantemente mudam de amores
Porque a mente se satisfaz
E o corpo rapidamente se sacia
São os pequenos amores...
Mas o coração não se cansa nunca
A alma é perpétua e infinita
E esses amarão eternamente
São os grandes amores...

Jeito


Jeito

Ama-me assim, do teu jeito,
Que todo jeito é jeito,
E não há jeito certo de amor
Ama-me assim do teu jeito,
Que teu é o jeito perfeito
Que quer o meu coração
Ama-me assim, do teu jeito
Mas também permita que eu
Do meu jeito, possa às vezes,
Passear por todo teu corpo,
Caminhar pela tua alma,
Adentrar em teu coração
Suave e sensualmente,
E com amor e muito jeito,
Penetrar em tua solidão.

Macaco não tem insônia

Macaco não tem insônia

Lá pelas tantas, depois de desligar o PC, alimentar os gatos, conferir portas, banhar-se, escovar os dentes, apagar luzes e realizar todo o ritual que antecede o dormir, deitou-se.
Seu corpo cansado esticou-se e enrolou-se na cama por diversas vezes, virou-se, revirou-se e nada de conciliar o sono. Relaxou, meditou, até rezou e nada! O sono não lhe dava o ar da graça. Resolveu contar carneirinhos e assim feito criança, quem sabe, dormiria. Imaginou-os todos branquinhos, peludos, alegres, pulando um após o outro, vindos de um lado misterioso de sua mente, e saltando para o outro lado, não menos desconhecido. E contava-os... Às vezes perdia a conta e começava tudo outra vez... Um, dois, três, e eis que de repente um chimpanzé saltou por entre os alvos carneirinhos! Levou um susto! Não acreditava no que acabara de ver, se é que se podia chamar de ver, o que sua mente criava com os olhos fechados, bem dentro de sua cabeça. Um chimpanzé! Atrevido! Como foi possível semelhante fato? Afinal ele é quem criava e contava os carneirinhos... Como pôde um chimpanzé, aparecer de forma tão inusitada por entre sua criação?
Abriu os olhos, pestanejou, será que dormira por alguns instantes e sonhara? Pensou... Cismou...Resolveu fechar os olhos, voltar a contar carneiros e tentar adormecer. Dito e feito. Um, dois, três... Branquinhos... Dezenove... Alegres... Trinta e cinco... De novo! O chimpanzé saltando junto aos carneiros! Não é possível! Inacreditável! Mas desta vez o chimpanzé parou, e bem do centro de sua própria cabeça olhou-o fixamente como a indagar, com lampejos de raiva e indignação, com que direito ele interrompia seu salto. Coração disparou. Pensou estar enlouquecendo! Não imaginou chimpanzés entre cordeiros! Estaria tendo alucinações? Não tinha mais controle sobre o que pensava! E o olhar... O olhar do chimpanzé! Olhar furioso de quem é interrompido durante um sério e importante trabalho. Olhar inquisidor daquele que coberto de certeza, posse e razão, questiona o intruso deixando-lhe a sensação de invasor culpado e desprotegido. Não sabia o que fazer. Abriu os olhos. Sentou-se na cama, coçou a barba e a cabeça, Limpou o suor que lhe escorria da testa. Deitou-se novamente, respirou fundo, sonhara pensou novamente, certamente sonhara o mesmo sonho. Muitos disseram já ter vivido semelhante experiência. Não estava enlouquecendo, decerto que não! Mas não entendia como um chimpanzé intrometido infiltrava-se entre seus carneiros sem a sua permissão. Nem gostava de macacos!
Resolveu tentar dormir novamente e teimoso que era, decidiu contar de novo seus carneiros, e desta vez nenhum chimpanzé iria estragar-lhe a contagem, controlaria sua mente e sua imaginação... Um, dois, três... Suaves e mansos... Vinte e quatro... Despreocupados feito crianças... Quarenta e sete... Mecânicos feito maquinário de relógio antigo... Não conseguia dormir... Perdeu a conta... Começou tudo novamente... Não conseguia dormir... Um, dois, três... Descreviam um arco perfeito ao pular de um lado para o outro de sua mente... Vinte e dois... Todos iguais, perfeitos, assim eram os seus carneirinhos... Cinquenta e dois... O chimpanzé! Ele de novo! Não acreditava! Coração aos pulos! O chimpanzé parou... O mesmo olhar furioso... O chimpanzé, olhar fulminante e fixo, lentamente aproximou-se e num lapso de segundo desfechou-lhe um grande soco no queixo... Nocaute! Adormeceu profundamente...

Expectativa

Expectativa

E...
Se o prazer nasce no cérebro,
Toca meu corpo com carinho,
Com especial e sensual sensibilidade,
Para que, inebriado, meu cérebro possa
Devolver-te em gozo e prazer
Todo o potencial de tua meiguice...

E...
Se o querer é pela mente assimilado,
Toca meu coração com nuances
De cor e emoção, com afeto e carinho,
Para que minha razão te perceba
E, emocionada, minha mente possa,
Quedar-se aos teus pés com tanta paixão,
E querer-te mais que a si mesma

E...
Se o amor é pela alma eternizado,
Conduz então, meu ser com plenitude,
Encaminhe-me para o sol, faz-me luz,
Com amor e paixão, com querer e vontade,
Para que meu espírito te prove,
Te conheça, te deseje e te queira amar,
Por toda a infinita eternidade...

Obsessão


Obsessão

Deixa eu ser tua Dulcinéia,
Amar-te em loucos anseios,
Ou ser tua branca Isolda,
A navegar em teus cabelos,
Deixa eu ser tua gueixa,
Fazer amor ao sol nascente,
E dançar por entre teus pelos.
Deixa eu ser tua Julieta,
Tua Inês, tua Heloísa,
Ser tua amante ou tua poetisa,
E se nada disto te encanta,
Deixa ao menos, por instantes,
Aos olhos do povo que ri,
Deixa que eu seja apenas,
Simplesmente tua Geni...

O nó e o laço


O nó e o laço

Laços unem...
Nós prendem e amarram...
É o nó e não o laço,
Que amarra a pedra
Em teu pescoço

É o nó e não o laço
Que te carrega 

Para o fundo
Do lodo e do poço...
(Foto de George Portz)

Solidão



Solidão

A solidão sempre fara de mim,
Sem remorso e sem punição,
Sua melhor e mais fiel serva,
Pois é dela o sopro de minh'alma
E o pulsar de meu coração...



Memória


Memória

Na memória
O tempo para, congela
E se torna eterno...
Na memória
A mente eterniza o momento,
E um instante é infinito...
A mágica do encontro é possível
A distância desaparece
E o estar junto é tangível...
Na memória Intenções são imortais
Atitudes são perpétuas
E o sonho é a luz do pensamento...

Mergulho

Flutuas assim, leve e livre,
Bailando nas águas do viver
Mergulhando no rio da vida
E eu, sentada em suas margens,
Limito-me a observar o teu bailado
A traiçoeira, ágil e forte correnteza
Em que, certamente, eu me afogaria
Não te impõe nenhum empecilho,
Pois és muito, muito, mais do que ela
Tens no amor, a fonte de tua força
Deslizas soberana, num vai e vem confiante
Como se foras uma canoa a dormir
No braços de um calmo e terno lago,
Suavemente banhado pela luz do luar
Às vezes, coloco lentamente meus pés
Nas águas desse rio e seu movimento
Me entontece e sinto a corrente viva
A te carregar para os mares do sonho
Não sou peixe... Nem sei nadar...
Não bebo da tua fonte, para poder voar...
Sentada nas bordas do rio de tua vida
Meus olhos, apenas, limitam-se a te olhar
E ajudam a aumentar o volume
Das águas que o rio carrega
Para dentro do amplo ventre do mar...

Existência

Existência

E não existe um só dia
Em que tua boca não me sorria
Na tela estática de minha memória
E não existe um só dia
Que tua ausência não provoque
Uma lágrima a me regar o olhar
Como a nutri-lo para ver a vida
Nem existe uma noite sequer
Em que eu não te deseje boa noite
Na cama vazia de meus pensamentos
E não existe nenhum momento
Em que teu ser não influencie
Meu falar ou o meu silêncio
Nem existem frases, versos e escritos
Que tua existência não inspire
Aquilo que será e o que já foi escrito
Vivo lembranças e retalho o tempo
Penso na vida, inexorável,
Questiono a lua, inexplicável,
Vislumbro a morte, inevitável,
Contemplo o sol vivo e distante,
Despretensioso aquecendo e dando vida, 
Doando luz à relva verde e esfuziante,
E a mim, relva seca, insignificante...

Escrever

Escrever 
Escrever é apaixonante e profundamente desafiador.
As palavras possuem significados próprios e definidos, mas nem por isso teremos a garantia de que seremos completamente entendidos por quem nos lê. É preciso ser absolutamente fiel ao que se quer transmitir e é fundamental também ser o mais claro possível naquilo que se escreve, mas isso também nem sempre é suficiente para transmitir ao outro aquilo que pensamos ou queremos.
Tentamos transmitir uma coisa e o outro, ao ler entende outra coisa... E é neste ponto que reside a magia do escrever, a riqueza das múltiplas interpretações que uma simples frase pode ter ao ser lida por pessoas diferentes... Isto porque somos únicos... Só nós sabemos de nossas experiências, de nossas bagagens, de nossas emoções e sentimentos.
O que significará um "beijo doce como mel" para aquele que nunca provou o fruto das abelhas, ou o que é pior, para aquele que detesta doces?
Qual o sentido de dizer que "se morre de amor" para quem nunca vivenciou um sentimento maior do que o corpo, a mente e a alma? Maior do que a sensação daquilo que chamamos vida?
Muitos nos lerão e entederão mas seremos melhor assimilados por aqueles que tiverem dentro si uma bagagem, vivências e anseios semelhantes aos nossos, pois entender, compreender e assimilar é tarefa não só da mente racional que lê, codifica e traduz mas também do componente imaterial e emocional que vive em nós. É essa natureza imaterial e misteriosa que nos habita que vai na verdade, interiorizar o que a mente racional apreendeu...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Divagações



Não sou conta do rosário de teu lamento
Mas, fervorosamente,tu és a mais doce oração
Que meus lábios e coração oram diariamente
Ao deus do tempo e das esferas...


Não faço parte do colar de pérolas de tua vida
Mas, lindamente, tu és a melhor e mais linda jóia
Que minhas mãos garimparam nas minas,
Nos campos, abismos e cavernas da vida...


Não sou pedra da ladeira de teu calvário
Mas, magicamente, tu és o mais lindo caminho
Que minha boca e meus pés percorreram
Nas trilhas e estradas dessa minha existência...

Anjo caído sobre a terra fértil de teu corpo
Ente aflito e solitário sedento de tua alma
Animal insaciável e louco por tuas palavras
Assim sou!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Finalidade



- Uma palavra?

- Ambigüidade.


A vida é simples, muito simples, e complexa... Ser ou não ser... A vida é frágil, extremamente frágil, e ao mesmo tempo, de uma profunda e teimosa resistência... A morte comprova isso. Estamos aqui e no próximo segundo, pelo rompimento instantâneo de uma artéria, não estaremos mais; e no mais árido e rígido concreto, de uma movimentada avenida, nasce e cresce uma flor...
Sim e Não... Dia e Noite... Vida e Morte...
Ambiguidade!

O sorriso do Amor...



Às vezes o amor, inesperadamente, nos sorri
E nós, cegos e tolos, não lhe retribuimos o riso
E eis que, tal como chegou, ele parte em busca
De uma outra boca que, talvez, lhe beije a face
E de um outro corpo que lhe alimente a alma
Continuamos vivendo superficialmente satisfeitos
E não importa se foi por cegueira ou tolice,
Que tenhamos dado voz total e plena à nossa razão,
A verdade é que nada matará nossa ansiedade,
Nem alimentará a estranha fome de nossa alma,
Ou preeencherá o imenso vazio implantado
Pela falta do amor em nosso coração...

domingo, 8 de novembro de 2009

Sem você
O fio da vida
Não pinta
Nem borda,
Não tece,
Não fia,
Não cria,
Não faz nada!

ZuleideZhu



Não importa se sou barro,
Argila ou pedra-sabão,
Importa é ser matéria prima,
Para que moldes minha vida,
Com as tuas próprias mãos...

ZuleideZhu

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Se te vejo,
Amo-te!
E se não te vejo,
Também!
De qualquer jeito
Te amo
Que assim seja,
Amém!

ZuleideZhu
(Das Coisas Muito...)


 

Meu amor
É eterno,
É fruto
de vidas,
É fruto
de mortes,
Não é
Filho do acaso,
E nem
Cria da sorte...

ZuleideZhu

quarta-feira, 4 de novembro de 2009


Das asas que te levam ao céu,
Guarda para mim, algumas penas,
Pois elas podem me fazer sorrir
Quando eu descer ao inferno...
Zhu

Um dia saberás
O que hoje agora sei...
Mas nada mudará
Pois que então não mais serei...
Zhu

Teu existir cria o fio que tece
Todas as teias de minha vida...
Zhu

Morro..
E não te esqueço!
Vivo e permaneço
Presa ao teu existir!
Zhu

E Se o tempo pudesse parar,
Eu iria te encontrar
Dentro do meu coração...
Zhu



Tudo possui cor
mas nada brilha sem a luz do amor!
Zhu

Mania

Não é que goste de poesia
Gosto mesmo é das palavras
Largadas, jogadas, lançadas
No espaço de comunhão
Mas as danadas têm lá um
Maldito e péssimo hábito
De sempre se engalfinhar,
Feito casais de namorados,
Aprisionados pelo olhar,
E além do péssimo hábito
De sempre juntas andar,
Grudando-se umas nas outras,
Ainda insistem em rimar!
ZuleideZhu
(Das Coisas Muito...)

Cafuné

Afagar teus cabelos
É como afagar sonhos
Dentro de minha alma...
É como afagar o céu,
Mexer nas estrelas,
Tocar o infinito...

Afagar teus cabelos
É como afagar os sons,
Manipular as cores...
É como tocar o mar,
E sentir a sua bruma
Bailando entre meus dedos...

Afagar teus cabelos
É sentir o toque de um anjo
É viver a eternidade
É como tocar a seda
É ter a brisa no rosto e
Sentir correr a seiva na flor...

Afagar teus cabelos
É como ter nas mãos
A alegria e a esperança
De um futuro impossível,
E que magicamente se
Fez palpável entre minhas mãos...
ZuleideZhu
(Das Coisas Muito...)


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Retorno

Não voltes...
O tempo é passado
A esperança fez-se pedra
E revestiu a estrada
Por onde a solidão desfila
Senhora e soberana
Da minha alma

Não voltes...
A angústia da espera
Foi longa demais
O sonho de amar-te
Transformou-se em prisão,
Onde minha mente
Mantém-se enclausurada

Não voltes...
A ausência de teu corpo
Fez do desejo ardente
Indiferença e anteparo
O anseio desfez-se em cinzas
Levadas pelo vento
Do indistinto e do desinteresse


Não voltes...
Pois se voltares
Breve e certamente
De novo partirás
E não é dado a um coração
Morrer duas vezes numa
Mesma existência

ZuleideZhu
(Das coisas muito mais...)



quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Ecos

Todas as noites, no quase dia
Minha alma busca sustento para o coração
Nas tuas lágrimas banha-se minh'alma
Em cantos tristes e solidão
Todas as noites, no quase dia
Meu corpo sedento busca alimento
Junto aos sons de tua canção
Buscando melodias para compor
A sinfonia dos dias que virão...
ZuleideZhu


 

Cíclica

A noite chega mansa
E traz lembranças indeléveis de você.
A madrugada se insinua
E cresce ainda mais a sua ausência.
O raiar do dia é formado
Pelas diferentes matizes e nuances
Da falta que você faz em minha vida.
O dia vai nascendo lento e suave
E junto com ele nasce mais saudade,
De certo que ao meio dia,
O sol e a sua ausência
Ocupam igualmente o mesmo espaço,
Em meu ser e em meu existir.
E ao cair da tarde quando o sol se põe
Percebo que a luz que iluminou o dia,
E que se igualava em dimensão à sua saudade,
Diminuiu na mesma proporção em que aumentou
A necessidade de sua presença.
Cada novo anoitecer é mais denso,
Pois, dia após dia, sua ausência
Torna-se mais e mais espessa,
E dia virá em que a luz do alvorecer
Será totalmente encoberta
Pela escuridão de sua ausência...


(Zuleide Zhu - Vol. 59 - Antologia CBJE)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Teus Cabelos

Onde teus cabelos,
caídos nos olhos,
tornando-se ponte
para um outro sonhar?
Onde teus cabelos
caídos em cachos,
formando poemas
e um outro cantar?
Onde teus cabelos
criando espirais,
inspirando desejos
e vontade de amar?
Deixa que te afague
os cachos, e deles
componha as melodias,
para colorir teus dias...
Deixa que te acarinhe
as espirais, e delas
faça redemoinhos
a carregar teu sonhar...
Deixa que eu envolva
teus cabelos e
deles faça a estrada
para o muito te amar...
ZuleideZhu
(Das Coisas Muito...)


domingo, 18 de outubro de 2009

Saudades...

É o amor a mola mestre do mundo... Sob todas as suas formas e expressões, e hoje lendo um depoimento no orkut, sobre a morte de uma amiga, companheira minha e da autora do texto abaixo, não consegui deixar de me emocionar e resolvi deixar registrada esta declaração de amor... Existe o sentimento de amor, que nasce e sobrevive por si só, dentro de nós e independente de nossa vontade; mas se o sentimento puder ser compartilhado, dividido, vivenciado por aqueles que estão envolvidos por ele, então ele se tornará eterno, impregnará todas as células de nossos corpos físicos e espirituais, fará parte de nossa essência para sempre, também independente de nossa vontade, em quaisquer situações, espaço ou tempo em que vivermos, porque a vida é muiito mais do que enxergam nossos olhos...

"Hoje meu anjo da guarda ganhou asas... Mas sei que não voou pra longe... Apesar da distância de agora, um sentimento acalma... Acho que quando o amor é muito forte imprime uma marca na alma que nada apaga. Nem distância, nem nada.
E não é amor de quem diz "Eu te amo". Não é do dizer. É do acordar todos os dias, todos os dias durante 24 anos para fazer meu café da manhã, é de me cobrir todas as noites, de trazer remédio e uma colher de açúcar todas as vezes de febre, dor de garganta, resfriado, cólica... De correr para esquentar o jantar antes mesmo de eu entrar em casa. De ligar pra saber se vou demorar. De ligar no meio da semana para falar que está com saudade. De cuidar de mim e dos meus gatos. De nunca ter me chamado de bagunceira apesar de toda a bagunça (e não é pouca). De levar à escola quando eu não podia ir sozinha. Ir às reuniões. Levar no dentista para trocar o braquete quebrado. De me confiar os cuidados de suas unhas, cabelos, sobrancelhas. De gostar da minha companhia sexta à noite comendo pizza. De dormir de conchinha enquanto cabia. De me lembrar de levar uma blusinha e um guarda chuva. E um lanche. E a chave. De dividir o mesmo quarto por 17 anos. O mesmo banheiro por 24. A mesma vida pela vida toda. A única vida que conheci você sempre esteve nela. Sempre de perto, muito perto. É amor de muitas, muitas, muitas e muitas demonstrações que não cabem aqui, de doação de alma. Amor eterno. Tem uma marca impressa para sempre. Na minha personalidade, caráter e felicidade. Te agradeço muito por toda dedicação e amor que eu recebi. Amo você."
Texto escrito por Daniela Espinossi Agostinho para sua avó Ziolinda

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ser professor

Podes ensinar a escrita, o número e a palavra,
Podes mostrar como deslizar e sonhar pelos mapas,
E como transpor as barreiras do tempo através da história.
Ou podes ainda ensinar as passagens secretas

Para resolver uma expressão ou resgatar uma memória.
Podes equilibrar uma fórmula, classificar uma solução,
Mas equações não resolvem a incógnita da vida,
Palavra nenhuma descreve toda a miséria da humanidade,
E fórmula alguma contém a magia da felicidade.
Todos os saberes serão dignos e importantes
E todos podem ser igualmente fundamentais,
Mas nenhum deles terá verdadeiro e real valor
Se não contiverem em si a marca indelével do amor...


ZuleideZhu

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Experiências

Intransitável é o caminho não percorrido. Inesquecível é o que nem o tempo e nem a distância afastam do coração.
Impossível é o amor não compartilhado, não vivido, não repartido, não dividido.
Algumas situações são contingências da vida, para elas bastam os olhos, talvez um pouco da mente, simplesmente passamos por elas, em nada nos influenciam nem sequer acrescentam, fazem com que nos sintamos vivos enquanto estamos provando dessas cores, desses sabores, mas deixam sempre um estranho e amargo vazio.
Outras vivências são insubstituíveis e também intransferíveis, teremos que vivê-las, querendo ou não, estas serão indeléveis, nos marcarão para sempre, pois trazem sempre o sabor do quero mais e do eterno, satisfazem nosso corpo e também nossa alma.
Para vivenciá-las basta apenas fechar os olhos, despojar a mente dos preconceitos, do tradicional, da rotina, soltar-se, voar e deixar-se guiar pelo coração...

ZuleideZhu

Tempo

O tempo urge então não percas tempo com quem para ti não tem tempo, e não está tempo algum disponível, para passar algum tempo contigo.



Por mais lindas que sejam as estrelas e por mais que as amemos, elas estão longe, são inacessíveis, não nos pertencem, não nos enxergam e nem sabem nada de nós. Então é preciso ter coragem e vontade para abaixar o olhar, soprar ventos fortes com o coração para dispersar as névoas da ilusão e enxergar as luzes que iluminam nosso chão, para que elas possam nos auxiliar clareando nossa estrada e alegrando nossa vida.
É preciso estar com quem quer e precisa de nossa companhia.
É preciso amar quem nos ama e deseja o nosso amor.
Não podemos alimentar quem não tem fome, nem dar livros para aquele que não sabe ou não quer ler.
Entender isso é aprender as necessidades do outro e de nós mesmos, é conhecer e aceitar o outro, é aprender a amar...

ZuleideZhu

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Constatação

O brilho da lua no céu
Faz meu peito pulsar
E minha mente, incoerente,
Sozinha põe-se a sonhar,
Quanto podia ter te amado
Sob a argêntea luz do luar

E se, por acaso, o frio do chão
Em teu corpo penetrasse
O calor de meu corpo evitaria
Que teu coração congelasse
E teus doces olhos permitiriam
Que mais e mais eu te amasse

De um amor forte e capaz
De liberdade e escravidão,
Doce, selvagem, ardente,
Sem rotina ou obrigação,
Que te fizesse livre n’alma
E prisioneiro de meu coração


Meu amor não te cobraria
Constante presença ou prisão,
Nem faria da indiferença
Motivo de triste aflição,
Apenas sobre ti derramaria
Enxurradas de terna paixão...


E meu amor, de teu corpo faria
Brinquedo de alegre criança,
Descobriria todos os porões,
Recantos cheios de esperança,
Amar-te-ia em todos os cantos,
Deixando meigas lembranças

E quando uma nuvem no céu
Escondeu a fria luz do luar,
Minha mente pode enfim
Tristemente constatar,
Que de nada vale este amor,
Pois é outro o teu sonhar...
ZuleideZhu
(Das Coisas Muito...)

Espera

Hoje você não veio
Trazer poesia
A noite está vazia
A lua chamava,
Chorava seu nome,
E eu também...
A lua se foi,
Você não veio,
Poesia murchou
Como murcham
Todas as flores
Deixando no ar
Cheiro de saudades...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Um cão e eu


Andavas e na dança de teus quadris os ossos provocavam um triste e estranho balanço... Lembravam a mãe balançando o berço do filho ausente... Teu porte era belo, mas o corpo esquelético perdia a vivacidade que deverias ter pela tua idade. Assemelhavas-te a um velho solto na tristeza dos momentos não vividos. Tua fome era transparente e fazia de teus olhos, faróis da miséria do mundo naquela calçada em que, esperançoso, procuravas com teu focinho, no chão seco e estéril, alguma coisa para saciar tua fome...
Com a inocência e a pureza de uma criança teu olhar pousou sobre mim e fui invadida por uma estranha e forte sensação de amor, a alegria com que me fitavas transcendia teu corpo e exalava felicidade ao teu redor, e fiquei marcada pela doçura e cumplicidade deste teu olhar...
Percebi tua fome e pensei em comprar-te um pastel, mas algo impediu-me deste ato.
Só depois, do muito pensar sobre ti e sobre tua figura, é que percebi que na verdade, o que me impediu de dar alguma coisa para alimentar teu corpo foi estar tão faminto quanto tu estavas...
Tinhas fome no corpo e eu tinha fome na alma...
Tinhas fome de pão e eu tinha fome de amor...
Mas cada um de nós, dentro da nossa realidade, estava igualmente carente, faminto e miserável. Neste instante pensei afinal, qual de nós dois era enfim, mais humano... Eu, que fui incapaz de dar-te o alimento para o corpo, ou tu que alimentastes minha alma apenas com um olhar...

sábado, 3 de outubro de 2009

Cavaleiro

Cavaleiro eterno, errante, amante...
Não imaginas a importância
Que tens em minha vida...


És meu príncipe louco e encantado,
De outras eras, outros ares, outros tempos,
Trazendo-me sonhos, em seu cavalo alado,

Rompendo muralhas, mares e ventos...


Mas és também meu doce herói armado,
De escudos, de lanças, moinhos e espada,
Libertando meu coração atormentado,
Livrando minh’alma em si mesma acorrentada...


E és também menino, criança doce e inocente,
Brincando com as mãos, maroto sorriso,
Buscando com o olhar o carinho e o indecente
Despertando em meu ser o prazer e o riso...


E é mais, és meu guru, meu mestre, meu guia,
Quando com tuas falas, convictas e certeiras,
Desarma-me com falas, versos e poesia, e
Quais flechas mortais, abalam minhas certezas...


És homem que no êxtase me traz a eternidade,
E transforma meu corpo em luz, em flor, em pó,
E no som do amor, me conduz à realidade,
Prendendo-me ao teu ser, num firme e eterno nó...


És tudo, és nada, és procura e saudade,
És tristeza, és inspiração, és porto e cais,
És encontro, és separação, és mentira e verdade,
És sombra, és luz...És muito e muito mais...

O impossível só o é, enquanto não acontece,
E não digas que amor assim não existe,
Não desacredites do que tua mente não conhece,
Nem sequer duvides do que ainda não viste...

Não descreias daquilo que teu coração não viveu,
Não desdenhes do que tua alma ainda não se recorda,
Não desconfies tampouco do que o poeta sentiu,
Nem penses que se vive, apenas quando se acorda...


O desconhecido é inominado e poucos o conheceram,
E a este sentimento lindamente chamaram amor...


ZuleideZhu
(Das Coisas Muito...)


Bastarda

Minha poesia é tua filha...
Bastarda, é verdade...
Filha da dor, da agonia,
Da tristeza e da alegria...
Talvez te ponhas a pensar...
Atrevida, que vem assim,
Sem autorização se apresentar...
Mas calma, ela nada pede,
Nem o teu amor, sequer o teu olhar...
Talvez permaneça obscura e
No ostracismo, e nem irá te incomodar...
Mas quem sabe, no futuro,
Qual filha pródiga, ainda irá te orgulhar...
Porém de qualquer forma,
E seja o destino que for,
Ela é tua filha,
E acima e antes de tudo,
Filha legítima do amor...


ZuleideZhu
(Das Coisas Muito...)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cristalização

Dia desses
Amor assim há de se
Cristalizar no peito...


Tornar-se-á pedra talvez!
Tamanha intensidade
Tanta paixão
Tão grande força
Energia em expansão
Para pouco espaço
Dentro de um coração...


Dia desses
Tanto amor há de
Cristalizar-se no peito...


Tanta tristeza
Enorme saudade
Tua ausência infinita
Tal a infelicidade
Desejos de teus beijos
Vontade em suspensão...
Tornar-se-á porventura carvão?
Ah!... Certamente que não...


Dia desses
Tanto amor há de
Cristalizar-se no peito...


Ah! E o brilho de teus olhos,
E a luz de tua alma,
Mostram que num mágico
E maravilhoso instante,
Transformar-se-á todo este
Amor em lindo e raro diamante...


ZuleideZhu
(Das Coisas Muito....)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A pedra e Drummond

E eis que, inesperadamente, ele pôs
Uma pedra no caminho da poesia
E ninguém mais andou direito
Diante de tão inusitado ato
Na estrada do poetar,
Dali para frente, querendo ou não,
Uns seguiram com uma pedra no sapato
Revoltados, outros, ao ver a pedra retornavam
Alguns, perdidos, em torno dela giravam
Houve decerto uns poucos,
Que, ofendidos, pedras e pedras atiraram
Mas impossível negar-lhe o dom transformador
E a pedra criou vida, cresceu, cresceu e brilhou
Na verdade transformou-se montanha
Pela grandeza de seu criador
Zuleide Zhu
(Poemas Dedicados - CBJE Outubro/2009)

Missiva

Queria mesmo escrever-te
Só ao final de minha vida,
Mas não posso... Não sei quando morro
Se hoje... Se amanhã...
Pois o tempo é mudo, a morte é calada,
E a vida, uma cúmplice fiel,
Imita-lhes, lealmente, o ato
Então escrevo já, escrevo agora
Pode não haver futuro
E já não há o outrora...
Somente a incerteza vaga errante,
Em disparada, louca e cega,
Carregando-me pela vida afora
Então é fundamental que saibas
Que não existiu sequer um riso
No qual não estivesse contido
O doce brilho do teu olhar
E nem existiu olhar algum, que igualmente
Não refletisse a alegria de teu sorriso
Não houve nenhuma lágrima caída
Que junto também não chorasse
A tristeza pela tua ausência
Melhor então registrar agora,
O que minha alma nunca irá esquecer
E que independe do tempo,
Entre a minha morte e o meu viver
Aquilo que em nada irá se alterar
E que se resume simplesmente,
Em sempre e sempre te amar.


ZuleideZhu
(Antologia CBJE - Vol. 58)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Reflexos

“Os olhos são o espelho da alma”
E se visse além do espelho?
E se visse além do que o espelho mostrava?
E se visse além do que o não refletido mostrava?
Às vezes enxergava o amor no olhar do outro
Poderia jurar que via, contudo a imagem não era real
Era simplesmente o reflexo de seu próprio olhar

“Os olhos são o espelho da alma”
Novamente fazia do olhar do outro seu espelho
E enxergava o amor no brilho de outro olhar
Descobriu que era míope para ver o mundo e o amor
Nos olhos do outro só enxergava apenas distorções

Imagens virtuais do outro ou de seu próprio olhar


“Os olhos são o espelho da alma”
Decidiu não olhar e sequer confiar em espelhos
Espelhos são apenas instrumentos imperfeitos
Que refletem apenas o que se quer e o que se pode ver
Nunca refletirão o que não existe, o que não se quer ver
Ou aquilo que não deve ou não pode ser visto
Quebrou todos...
Um a Um...
Ficou cega...


(ZuleideZhu)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Necessidade


Não precisam ter rimas
Os versos para o meu amor
Nem precisam ser épicos,
Elegias ou hinos de louvor
Não é preciso que falem
De sonhos, alegrias ou dor...

Não é necessário ter classe,
Ou gênero classificado
Não importam as estrofes,
Tampouco o estilo literário,
Nem é necessário que se use
Amplo e culto vocabulário...

Basta apenas que demonstrem
O quanto lhe tenho saudade,
Basta que através de palavras
Ele entenda que toda verdade
Resume-se em querê-lo e amá-lo,
Agora e por toda a eternidade...


Zuleide Zhu
(Das Coisas Muito...)

Querer

Queria...
Queria-te perto de mim,
Tocar teus lábios com calma,
Sentir tua pele, teus cheiros,
Ter teu calor aquecendo e envolvendo
Meu corpo e toda a minha alma...

Queria...
Queria-te agora perto de mim,
E beber toda a tua melodia,
Sorver teu néctar, tuas cores,
Ter tua carne alimentando e nutrindo
Meu ser e todas minhas poesias...

E queria mais...
Queria ser tua musa,
Tua alegria e tua inspiração,
Ser teu universo, tuas rotas
E queria teu ritmo embalando
O meu ritmo e o meu coração...

E queria ainda...
Queria ser tua saudade,
Teu desejo contido, tua insensatez,
Ser sôfrega e voraz presença,
E que aspirasses pelo meu encontro
Ávido, com ânsia e prazer...

E finalmente queria...
Queria de volta minha liberdade,
Minha sanidade e a minha razão,
Que perdi no túnel de um tempo,
Quando sem perceber permiti
Que nascesse em mim tanta paixão!
Zuleide Zhu
(Das Coisas Muito..)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Composição

E tudo que escrevo, escrevo para ti...
E tudo que escrevo vem de ti...
E tudo que escrevo é por ti...


E para que escrevo?

Se nem tomas sequer conhecimento
De minhas palavras, se não lês o que
Por ti e para ti, escrevo em poesia...


Se ignoras total e completamente
Todo o conteúdo das poucas linhas
Que nascem e crescem, e que a ti dedico...


Se nem te importas ou te emocionas
Com o que me vai ou vem da alma?
Se não lês, não respondes, não te interessas?


E por que escrevo?


Para que este sentimento
Não me envenene o corpo,
Nem me destrua a alma!


Para que este desejo contido,
Não corrompa minha mente,
Nem enlouqueça minha razão!


Para que este imenso amor,
Não me carregue para a morte,
E me direcione para a vida!


Por isso escrevo...

Zuleide Zhu
(Das Coisas Muito....)